Bitcoin Sob Ataque Quântico? O Alerta de Especialistas e o Que Você Precisa Saber

A cada avanço tecnológico, o universo das criptomoedas se questiona sobre sua segurança e longevidade. Nos últimos tempos, a computação quântica tem sido o centro de um debate acalorado que divide a comunidade Bitcoin: estamos à beira de um apocalipse digital, ou é apenas mais um FUD (Fear, Uncertainty, and Doubt)?
No epicentro dessa discussão, o desenvolvedor brasileiro Narcélio Filho, um entusiasta e estudioso da área quântica, levanta a bandeira da cautela. Em conversa com o Pixelando, Narcélio ecoa as preocupações de figuras como Nic Carter, que criticou publicamente Adam Back, CEO da Blockstream, por minimizar os riscos. Para Carter, a "filosofia proativa e paranoica que normalmente caracteriza o Bitcoin" está sendo negligenciada, enquanto corporações investem pesado em sistemas de controle de qualidade capazes de decifrar o ECC (Elliptic Curve Cryptography), base da segurança do Bitcoin.
O Peso da Ameaça Quântica
Não se trata de ficção científica. Narcélio é categórico: "Não é iminente, mas a comunidade bitcoin tem que se cuidar." A computação quântica, com seu poder de processamento exponencialmente maior, tem o potencial teórico de quebrar algoritmos criptográficos que hoje protegem transações e ativos digitais. O famoso algoritmo de Shor, por exemplo, poderia, em teoria, desvendar chaves públicas de criptografia elíptica em tempo hábil, algo impensável para computadores clássicos.
Para o especialista, o fato de instituições como o Banco do Brasil e mais de 51% dos sites que utilizam o Cloudflare já contarem com proteção pós-quântica acende um alerta: "O Banco do Brasil já tem proteção pós-quântica e o bitcoin não." A ONU, ao declarar 2025 como "O ano das ciências e tecnologias quânticas", apenas reforça a rapidez do avanço nessa área.
Bitcoin vs. Bancos: Uma Corrida de Respostas
Uma das grandes particularidades do Bitcoin é sua descentralização. Se por um lado isso garante resiliência contra falhas pontuais e censura, por outro, pode ser um calcanhar de Aquiles em face de uma ameaça sistêmica como a quântica. "Quebrar o bitcoin é muito pior que bancos", aponta Narcélio. Em um sistema financeiro tradicional, um ataque poderia ser contido com o congelamento de valores e a identificação do culpado. No Bitcoin, a resposta exigiria um consenso massivo da comunidade para implementar mudanças profundas no protocolo – um processo que, historicamente, pode levar anos.
O incentivo para um ataque quântico ao Bitcoin é gigantesco. Além do valor financeiro, a empresa que conseguir tal feito alcançaria um status incomparável, levando o preço da criptomoeda ao temido R$ 0,00 e reescrevendo a história da cibersegurança.
A Realidade dos Computadores Quânticos Hoje
Apesar do cenário futurista, Narcélio tranquiliza: "Os computadores quânticos de hoje ainda não fazem nada de especial." As máquinas atuais ainda sofrem com a falta de qubits suficientes e problemas de coerência, que limitam seu tempo de operação e a precisão dos cálculos. Contudo, estudos como o de pesquisadores chineses em 2025, que apresentaram uma arquitetura capaz de quebrar o Bitcoin (se construída em hardware funcional), ou o experimento da IBM, que em 2025 quebrou uma chave elíptica de 5 bits com um computador de 133 qubits, mostram que os avanços são constantes e reais.