CPI da Íris Esquenta: Felca Nega Vínculo com Worldcoin e Reguladores Deixam Comissão no Vácuo Cripto

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Íris segue a todo vapor em São Paulo, investigando as operações da Tools For Humanity, a mente por trás da polêmica Worldcoin. O bicho pegou com a proposta da empresa de escanear íris de cidadãos em troca de pagamentos em sua própria criptomoeda. E, para dar um tempero a mais nessa trama, o influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, foi convidado para depor, negando qualquer laço com a companhia.
O Porquê da Convocação de Felca
Felca, conhecido por seu trabalho na internet e sua influência na aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, se viu no centro da discussão. A presidente da CPI, vereadora Janaina Paschoal (PP), apontou uma possível conexão indireta: a Tools For Humanity teria contratado terceiros para pressionar por leis favoráveis à sua tecnologia. A suspeita é que o engajamento de Felca com o ECA Digital pode ter, de alguma forma, “agilizado” projetos que beneficiariam a empresa. Em seu depoimento virtual, Felca foi categórico: negou qualquer contato comercial, proposta ou vínculo entre sua equipe e a Tools For Humanity.
O X da Questão: Dados Biométricos e Privacidade
Mas a preocupação vai além da influência digital. A relatora da CPI, Ely Teruel (MDB), cutucou a ferida: a segurança de dados biométricos sensíveis armazenados por uma corporação estrangeira. Felca, com a cautela de quem entende o cenário digital, não titubeou. Ele classificou a prática como “questionável sob a ótica da privacidade” e advertiu sobre os riscos: “É muito interessante para várias empresas ter dados, e quanto mais precisos, melhor, eu acho que pode sim ter um fim perigoso”.
Essa inquietação não é à toa. A coleta em massa de dados biométricos, como a leitura da íris, levanta bandeiras vermelhas gigantes. Em um mundo onde vazamentos de dados são rotina, ter uma base global de identificadores únicos é um prato cheio para cibercriminosos e, na pior das hipóteses, para regimes autoritários. A promessa de uma Worldcoin por seus dados pode parecer um bom negócio à primeira vista, mas o valor da privacidade, uma vez perdida, é incalculável.
O Vácuo Regulatório e a “Moeda Inventada”
O ponto que realmente colocou fogo no parquinho foi a questão da regulação. A CPI convidou representantes do Banco Central e da Receita Federal para discutir a legalidade dos pagamentos em Worldcoin, uma criptomoeda sem regulação centralizada no Brasil. O resultado? Nenhum representante compareceu. Pela terceira vez. Esse ghosting institucional irritou os vereadores, que aprovaram requerimentos para intimar BC, Receita e, de quebra, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A pergunta central dos parlamentares, articulada por Janaina Paschoal, é cirúrgica: “”. Essa é a grande dor de cabeça do universo cripto no Brasil e no mundo. Sem uma legislação clara, empresas operam em uma zona cinzenta, e os consumidores ficam vulneráveis. A ausência dos órgãos reguladores é um sinal preocupante da lentidão do Estado em acompanhar a velocidade da inovação digital.