Felca Dá Bolo na CPI da Íris e a Polêmica da Worldcoin Ferve em SP

Papo reto: a cena cripto brasileira ferveu novamente, mas não pelo motivo que a gente gostaria. O influenciador Felipe Bressanim, mais conhecido como Felca, deu o bolo na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Íris, em São Paulo. Ele havia sido intimado para depor sobre a possível compra e venda de dados biométricos de paulistanos em troca de criptomoedas, uma prática que tem gerado muita controvérsia.
A Saga da CPI: Ausências Pesadas e Irritação no Ar
A intimação de Felca veio após os vereadores de São Paulo aprovarem o requerimento para sua presença. A expectativa era alta, não só por Felca, mas também pela presença de representantes do Banco Central do Brasil e da Receita Federal, que deveriam esclarecer as novas regras para bitcoin e outras criptos. Contudo, a reunião virou um palco vazio. Ninguém apareceu.
Essa ausência em massa irritou a presidente da CPI da Íris, vereadora Janaina Paschoal (PP). Ela não poupou críticas às instituições, que, segundo ela, parecem estar “se recusando a contribuir com nosso trabalho”. A preocupação é legítima: como investigar uma prática tão sensível como a coleta de dados biométricos se os órgãos reguladores e figuras-chave fogem do debate? “Tenho a impressão de que a Receita Federal e o Banco Central estão se recusando a contribuir com nosso trabalho. Queremos entender diretamente com esses órgãos qual é a visão deles sobre a atuação da Tools For Humanity. O que me preocupa é que esses técnicos não estão demonstrando o respeito que esta CPI merece. Nosso único pedido é que haja colaboração”, desabafou a vereadora.
Entenda o B.O.: A Worldcoin e a 'Venda de Íris'
A treta começou com a chegada da Tools For Humanity, empresa cofundada por Sam Altman (sim, o mesmo gênio por trás do ChatGPT), ao Brasil. Em São Paulo, a empresa estabeleceu parcerias para escanear a íris de milhares de pessoas. A promessa? Acesso ao World ID e, claro, um agrado em criptomoedas, os tokens Worldcoin (WLD).
A questão é que essa operação toda rolava sem qualquer autorização dos reguladores brasileiros. Os vereadores da CPI estão em cima para entender se essa troca era, de fato, uma “compra e venda” de dados sensíveis da íris, sem que a população tivesse total consciência dos riscos envolvidos. A Worldcoin, projeto que visa criar uma identidade digital global e, eventualmente, distribuir uma forma de renda básica universal via cripto, levanta sérias questões sobre privacidade, segurança de dados e até mesmo a premissa de que a biometria seja um ativo comercializável.
Dados Sensíveis, LGPD e o Futuro Incerto
No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já suspendeu a atuação da Worldcoin, uma medida essencial dada a sensibilidade dos dados biométricos. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é clara: informações biométricas são consideradas dados sensíveis e exigem um nível altíssimo de proteção e consentimento explícito e informado.