Apagão Monstro na Ceagesp: 40 Horas de Caos e Prejuízos Milionários em SP

Um vendaval sem precedentes atingiu São Paulo nesta semana, deixando um rastro de destruição e, em um dos pontos mais críticos da capital, um apagão que parou o abastecimento por mais de 40 horas. A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, a colossal Ceagesp, viveu momentos de caos e prejuízos que ainda estão sendo calculados, mas já se mostram milionários.
40 Horas no Escuro: O Impacto no Coração do Abastecimento
Imagine o maior entreposto de alimentos da América do Sul, responsável por abastecer milhões de paulistanos e dezenas de cidades Brasil afora, completamente no escuro. Foi essa a realidade de cerca de 3 mil comerciantes da Ceagesp, que viram suas mercadorias frescas — frutas, legumes, verduras, peixes e flores — ameaçadas pela falta de refrigeração e pela impossibilidade de operar. O serviço, que só foi restabelecido na manhã desta sexta-feira (12), deixou um rastro de produtos perecíveis comprometidos e perdas financeiras significativas.
A Ceagesp, por sua natureza, opera com volumes gigantescos e margens muitas vezes apertadas, dependendo da agilidade e da infraestrutura para manter a qualidade dos produtos. Um atraso de 40 horas não é apenas um inconveniente; é uma catástrofe logística e econômica. O impacto reverberou não apenas nos cofres dos comerciantes, mas também na cadeia de abastecimento, podendo, em última instância, afetar a disponibilidade e o preço dos produtos para o consumidor final nos próximos dias.
Enel Sob Fogo Cruzado: A Resiliência da Infraestrutura em Debate
A concessionária Enel tem sido alvo de fortes críticas pela demora no restabelecimento da energia em diversas regiões de São Paulo. A Ceagesp, em comunicado, não poupou a empresa: "Assim como os milhões de paulistanos, a Ceagesp também está entre os clientes afetados pela demora da Enel em retomar o fornecimento de energia elétrica à cidade de São Paulo".
A Enel, por sua vez, justificou-se, informando que o evento climático "causou danos severos à infraestrutura elétrica", com ventos de até 98 km/h e mais de 1.300 quedas de árvores. A empresa mobilizou cerca de 1.600 equipes para acelerar a recomposição, mas reconheceu que a situação em algumas localidades era "mais complexa", exigindo a "reconstrução da rede, com substituição de postes, transformadores e, por vezes, recondução de quilômetros de cabos".
Essa crise expõe uma vulnerabilidade crônica de grandes centros urbanos frente a eventos climáticos extremos, que, infelizmente, tendem a se tornar mais frequentes e intensos. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) estima que o apagão geral em SP possa ter causado um prejuízo de até R$ 77,5 milhões ao comércio da capital, um número que ressalta a escala do problema e a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura mais resiliente.