Churrasco Hermanos: Argentina turbina exportação de carne brasileira em alta de 20x

Churrasco Hermanos: Argentina Turbina Exportação de Carne Brasileira em Alta de 20x!
Prepare a grelha, porque o mercado de carne bovina na América do Sul está mais agitado do que final de Copa Libertadores! Dados recentes do Ministério da Agricultura revelam uma reviravolta saborosa: as exportações de carne bovina do Brasil para a Argentina dispararam em 2024, atingindo um volume 20 vezes maior do que no ano anterior. De janeiro a outubro, foram impressionantes 11 mil toneladas rumo aos hermanos, contra meras 526 toneladas no mesmo período de 2023.
Por Que Essa Fome Argentina Pela Nossa Carne?
Essa disparada, embora ainda represente uma fatia pequena do bolo exportador brasileiro (a China segue líder disparada), acende um alerta interessante para especialistas. Duas frentes principais explicam o fenômeno: o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e a queda na produção de carne na própria Argentina, um país com o maior consumo per capita do mundo e uma cultura de churrasco de dar inveja.
O Efeito Cascata do Tarifaço Americano
Lembra daquelas sobretaxas que os EUA aplicaram à carne brasileira a partir de abril? Pois é, elas viraram o jogo. Com a nossa carne perdendo competitividade no mercado americano, abriu-se um vácuo. E quem correu para preencher esse espaço? A Argentina! Como a quinta maior produtora global, os argentinos aproveitaram a brecha para vender mais de sua própria produção aos norte-americanos. Para não desabastecer seu mercado interno e manter o churrasco rolando, a solução foi simples: importar mais do vizinho Brasil. O pico dessa compra aconteceu em setembro, logo após a taxa americana subir para 50% para o Brasil, mostrando a rapidez com que o mercado se ajusta.
A Crise Silenciosa da Carne Argentina
Mas não foi só a política externa que motivou essa correria. A produção de carne na Argentina vem sofrendo. Secas prolongadas e políticas econômicas anteriores, que limitaram as exportações, impactaram severamente o rebanho e a oferta local. Segundo Fernando Henrique Iglesias, consultor da Safras & Mercados, efeitos do fenômeno La Niña no início da década afetaram a taxa de prenhez das vacas, enquanto o custo elevado de produção fez o rebanho encolher de 68,8 milhões para 67 milhões de bovinos entre 2023 e 2025. Medidas como a taxa de exportação de 9% e a suspensão de embarques em 2021, implementadas pelo governo anterior, também desestimularam pecuaristas.
O governo atual de Javier Milei, ao contrário, zerou a taxa de exportação da carne bovina entre setembro e outubro, estimulando ainda mais os produtores argentinos a venderem para fora. Com menos carne no mercado doméstico e preços em alta, a compra de carne brasileira se tornou uma alternativa estratégica e econômica.