Dólar Sob Nova Lente: Galípolo Afirma que Câmbio Agora Dança ao Ritmo da Política Monetária, Não Mais Só do Hedge

Prepare-se para recalibrar sua percepção sobre o dólar! O cenário da economia brasileira, e em especial a dinâmica do câmbio, está passando por uma reinterpretação importante, segundo Gabriel Galípolo, o atual presidente do Banco Central. Em sua recente participação no XP Fórum Político & Macro 2025, em São Paulo, Galípolo jogou luz sobre o que realmente move a moeda americana por aqui: a política monetária, e não mais predominantemente a busca por 'hedge'.
Essa declaração não é apenas um detalhe técnico; é um termômetro de como o Banco Central vê a saúde da nossa economia e sua interação com o cenário global. Para quem investe, compra produtos importados ou sonha com aquela viagem internacional, entender essa mudança é fundamental.
Entendendo o Câmbio: De Hedge a Política Monetária
Até pouco tempo, especialmente no primeiro semestre, a percepção era que a variação do dólar refletia muito o movimento de hedge. Para quem não está familiarizado, hedge é basicamente uma estratégia de proteção. Em momentos de incerteza, investidores buscam o dólar como um porto seguro, uma forma de "segurar" seus ativos em moeda estrangeira para se proteger contra riscos ou desvalorizações locais. Galípolo explicou: "Naquele momento, era uma tentativa de permanecer em ativos americanos, porém, reduzir a exposição de risco de uma deslocação do dólar."
Agora, a conversa mudou. "Hoje, eu já acho que o movimento do dólar está mais relacionado à política monetária e menos a um movimento de fazer hedge por uma questão de exposição e receio", pontuou o presidente do BC. Isso significa que as decisões sobre taxas de juros (nossa Selic), controle da inflação e o cenário econômico macroeconômico global têm um peso muito maior na cotação do dólar. A atratividade de manter investimentos em reais ou em dólares, influenciada diretamente pelas políticas monetárias do Brasil e de outros países, se torna o principal motor.
O Dólar como Linha de Defesa: A Visão do Banco Central
E tem mais: o Banco Central se mostra bastante confortável com o câmbio flutuante. Longe de ser um problema, a flutuação é vista como um ativo, uma ferramenta estratégica. "A flutuação, na verdade, é vista como um ativo nosso. O fato de o câmbio poder flutuar é uma linha de defesa para nós", reforçou Galípolo. Ele frisou que o BC não tem preocupações com esse mecanismo, pois ele age como um amortecedor para choques externos, ajudando a equilibrar a economia em momentos de turbulência.
Quando o BC entra em Campo: Limites da Flutuação
Mas calma lá! A satisfação com o câmbio flutuante não significa total inação. O Banco Central segue monitorando de perto o mercado. Galípolo destacou que a autarquia só intervém em casos de . Ou seja, se a flutuação for excessiva, imprevisível a ponto de gerar distorções e dificultar o funcionamento normal do mercado, aí sim o BC pode entrar em cena. Além disso, a vigilância se estende ao repasse da variação cambial para a inflação e para as expectativas do mercado, elementos cruciais para a estabilidade econômica.