Frente a Frente: BC e TCU Se Reúnem em Meio à Turbulência do Caso Banco Master

Encontro Decisivo: BC e TCU em Meio ao Furacão Master
Brasília está com os olhos voltados para um encontro que promete agitar os bastidores da economia brasileira. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e seus diretores Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucca (Secretário-Executivo) têm reunião marcada com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo. O objetivo oficial é discutir "assuntos institucionais", mas a pauta real sussurra o nome: Banco Master.
A Saga do Banco Master e a Operação Compliance Zero
O cerne da questão reside na liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro. Essa medida do Banco Central não foi aleatória; ela se seguiu à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que desmantelou um esquema de supostas fraudes financeiras. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso por suspeitas de emissão e comercialização de títulos de crédito irregulares, embora tenha sido solto logo depois. É um cenário clássico de alto risco e muita fumaça no mercado financeiro, exigindo uma atuação rápida e firme do BC para proteger o sistema e os investidores.
Choque de Competências: TCU na Mira do BC
O TCU, no entanto, decidiu entrar na jogada. Uma representação do Ministério Público junto ao Tribunal motivou o ministro Jhonatan de Jesus a determinar uma inspeção presencial no Banco Central. O objetivo? Apurar a fundo os procedimentos que levaram à liquidação do Master. Mas o BC não deixou barato. A autoridade monetária contestou a decisão, alegando que uma diligência desse porte deveria ser aprovada por um colegiado do TCU, e não por uma decisão monocrática de um único ministro. Argumentaram, ainda, os riscos que intervenções como essa poderiam trazer à gestão da liquidação, um processo que exige estabilidade e celeridade.
O Embate Institucional em Destaque
O ministro Jhonatan de Jesus, embora defendendo sua competência regimental, optou por suspender a inspeção e submeter o caso ao plenário do TCU. Ele reconheceu a "dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira", buscando uma "estabilização institucional da matéria". Isso demonstra a tensão gerada e a necessidade de uma definição clara sobre os limites e alcances da fiscalização do TCU sobre a autonomia técnica do Banco Central.
O Que Esperar da Reunião?
O encontro na próxima segunda-feira é crucial. De um lado, o BC, guardião da estabilidade financeira, precisa defender sua atuação técnica e a prerrogativa de agir prontamente em casos de risco sistêmico. Do outro, o TCU, zelador da boa aplicação dos recursos públicos e da legalidade dos atos administrativos, busca garantir a transparência e a correta aplicação das normas. É um delicado balanço entre autonomia e fiscalização, essencial para a governança e a credibilidade das instituições brasileiras.