Ibovespa Respira Pós-Euforia: Bolsa Cede e Busca Ajustes Após Mês Histórico

Depois de um novembro de aplausos e recordes, onde o Ibovespa surfou uma onda de otimismo, o mercado brasileiro decidiu dar um respiro e colocar os pés no chão. Nesta segunda-feira, a principal referência da B3 flertou com o território positivo, mas não resistiu à pressão e fechou em queda, marcando 158.611,01 pontos — uma retração de 0,29%.
Era quase esperado, né? Afinal, nem tudo que sobe, se sustenta sem um ajuste. O volume financeiro, que chegou a R$ 22 bilhões, mostra que a galera esteve ativa, mas com uma dose de cautela. Essa queda vem logo após um novembro histórico, com o Ibovespa registrando seu quarto ganho mensal consecutivo e elevando a alta no ano para robustos 32%.
O Cenário Pós-Rally: Por Que a Calma?
A euforia do mês passado, que levou o índice a picos de 159.072,13 pontos no fechamento e 159.689,03 pontos no intradia, deu lugar a uma busca por equilíbrio. Vários fatores colaboraram para essa “aterrissagem” suave.
Primeiro, a fraqueza em Wall Street funcionou como um lembrete de que o mundo não gira só em torno dos nossos records. O S&P 500, um dos termômetros do mercado acionário americano, também fechou com um declínio de 0,53%, ecoando uma sensação de ajuste global.
Internamente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, temperou as expectativas em um evento em São Paulo. Ele afirmou que, apesar dos bons números de emprego e atividade, a autoridade monetária precisa manter uma postura humilde e conservadora. Galípolo foi direto: a inflação ainda não está no ponto que o BC deseja, e as expectativas estão caindo mais lentamente do que o ideal. Esse papo jogou um balde de água fria naqueles que já esperavam um corte mais agressivo na taxa de juros, levantando o debate: a queda da Selic vem em janeiro ou só em março? O mercado, como sempre, odeia incertezas.
De Olho nos Pesos-Pesados da Bolsa
No panorama setorial, alguns nomes se destacaram (para o bem e para o mal):
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Bancos (BBAS3, ITUB4, BBDC4, SANB11): Sentiram o peso do dia, fechando no vermelho. Setor sensível às políticas monetárias, reage forte a qualquer sinal do BC.
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Petrobras (PETR4, PETR3) e Vale (VALE3): Nadaram contra a corrente. A Petrobras teve uma leve alta, impulsionada pelo avanço do petróleo internacional e pelo reajuste no preço do querosene de aviação. Já a Vale se beneficiou do minério de ferro na China, que subiu com a demanda por cargas de grau médio.
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Consumo e Varejo (BRFS3, BEEF3, RADL3, LREN3, CEAB3): Um dia misto. BRF e Minerva caíram, enquanto RD Saúde teve um dia de baixa mesmo com notícias positivas de capitalização. Lojas Renner ficou quase estável, com o Citi enxergando potencial de alta, enquanto C&A amargou uma queda.