Juros altos no Brasil impulsionam ganhos em investimentos globais com proteção


A persistência da Selic, que é a taxa de juros básica do Brasil, em níveis elevados não afeta apenas o crédito e a inflação no País. Ela virou também um trunfo para investidores que buscam diversificação no exterior sem abrir mão de retornos robustos.
O grande motor desse movimento é o diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas — hoje um dos maiores do G20 — que tem sido capturado por fundos internacionais com hedge (proteção) cambial.
Na prática, essa estratégia se apoia no clássico carry trade: tomar recursos onde os juros são baixos e aplicá-los onde são altos. Com a Selic na casa de 15% e os Fed Funds próximos de 4%, o investidor brasileiro encontra uma rara combinação de diversificação global e retorno potencialmente elevado. E, com o hedge, sem a montanha-russa do dólar.
“O investidor brasileiro pode se beneficiar dessa diferença de juros”, explica a analista da XP, Clara Sodré, lembrando que a proteção cambial transforma o próprio diferencial em performance.
Em um cenário simplificado, a diferença de 11 pontos percentuais entre Brasil e EUA pode elevar retornos para algo como CDI + 3% — “nada mal”, diz ela.
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O custo embutido: risco Brasil e cupom cambial
O jogo, porém, não é tão simples quanto arbitrar juros entre países. O Cupom Cambial, indicador que embute o risco de investir no Brasil, afeta diretamente o resultado final.
Ele representa o custo de carregar a proteção cambial — e pode mudar com o humor do mercado.
“Se fosse só tomar 2% lá e aplicar aqui, seria simples demais. Existe um custo para investir em um país como o Brasil”
— Clara Sodré, analista de fundos da XP.
A boa notícia: essa conta fica na mão de gestores profissionais, que ajustam o hedge conforme as condições do mercado.
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