Macron Cutuca o BCE: Chega de Focar Só na Inflação, Bora Crescer!

A independência dos bancos centrais é quase um dogma sagrado no mundo das finanças, mas Emmanuel Macron, presidente da França, parece disposto a chacoalhar essa estrutura. Em uma entrevista que ecoou pela Europa, Macron fez um apelo público e direto para que o Banco Central Europeu (BCE) “pense de forma diferente”, expandindo seu foco para além do controle da inflação e incluindo o crescimento e o emprego em suas diretrizes monetárias.
O Mandato Único do BCE em Xeque
Tradicionalmente, o BCE opera com um mandato singular: manter a estabilidade de preços, com uma meta de inflação em torno de 2% no médio prazo. Essa abordagem difere, por exemplo, do Federal Reserve dos EUA, que possui um mandato duplo, buscando tanto o pleno emprego quanto a estabilidade de preços. Para Macron, essa diferença é crucial e, no cenário econômico atual, limitante para a União Europeia.
Com o dólar americano e o yuan chinês sendo, nas palavras de Macron, “usados como armas econômicas”, e com a economia europeia enfrentando um crescimento estagnado, ele argumenta que a política monetária precisa de um ajuste. “Reafirmar o valor do mercado interno europeu significa que não podemos permitir que a inflação seja nosso único objetivo, mas também crescimento e emprego”, afirmou o presidente, destacando o elevado índice de poupança da zona do euro como um potencial catalisador para a economia.
Críticas e Riscos: De Títulos a Criptomoedas
Macron não poupou críticas a decisões específicas do BCE, como a venda de títulos governamentais, alertando que isso pode elevar as taxas de juros de longo prazo, desacelerar a atividade econômica e fortalecer demais o euro, prejudicando as exportações. É um movimento arriscado para um líder político se pronunciar sobre a autonomia do banco central, algo que geralmente é evitado para preservar a credibilidade da instituição.
Além das questões internas, o presidente francês apontou para um risco financeiro global: a desregulação de ativos cripto e stablecoins nos EUA. Para ele, essa "crescente desregulamentação" cria um "potencial não negligenciável de instabilidade financeira". Ele defende que a Europa continue sendo uma zona de estabilidade monetária, protegendo seus agentes financeiros e mantendo sua credibilidade para investimentos.
Um Futuro de Integração e Euro Forte?
Macron também sugere que a Europa precisa emitir mais dívida para oferecer “ativos seguros e líquidos”, fortalecendo assim a posição do euro entre as moedas de reserva globais. Curiosamente, a presidente do BCE, Christine Lagarde, já havia sinalizado para a necessidade de “medidas mais amplas e inteligentes” para impulsionar a integração europeia, reconhecendo que um mercado unificado reduziria a dependência de decisões externas. Embora não tenha comentado diretamente as falas de Macron, a visão de Lagarde parece convergir em alguns pontos sobre a necessidade de uma Europa mais forte e integrada.