Secretário do Pará, construtora, PM: os alvos da ação da PF envolvendo Antônio Doido


A operação da Polícia Federal que mira o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA) também cumpriu mandados de busca e apreensão contra um secretário do governo do Pará, a mulher e um caseiro do parlamentar, e policiais militares acusados de fazer saques de mais de R$ 48 milhões em espécie e atuar em “interesses escusos” do parlamentar, segundo a representação da PF.
Leia também

Deputado Antônio Doido é alvo de operação que apura corrupção e lavagem de dinheiro
Polícia cumpriu mandado no apartamento funcional do parlamentar em Brasília. Policiais encontraram celulares jogados em gramado
De acordo com a decisão do Supremo Tribunal, a organização criminosa “sob comando” de Doido teria desviado recursos públicos de licitações para custear a campanha eleitoral do irmão do parlamentar, em Ourém, no interior do Estado, em 2024.
“O grupo investigado, sob o comando do Deputado Federal ANTONIO DOIDO, utiliza diversas empresas para operacionalizar as movimentações financeiras objeto da investigação”, diz a decisão do ministro do STF Flávio Dino.
“Já foram expostos acima os elementos que indicam de forma veemente a prática de delitos diversos pela organização criminosa investigada, que vão desde crimes eleitorais e crimes licitatórios diversos, como a frustração do caráter competitivo do procedimento licitatório e a fraude em licitação e contrato, até a corrupção e lavagem de dinheiro”, diz trecho da representação da PF.
As duas empresas investigadas — JA Construcons Civil e a JAC Engenharia — foram registradas no nome da mulher do parlamentar e de um “gerente” de uma fazenda do deputado. A Polícia Federal considerou que eles atuavam como “pessoas interpostas” de Antônio Doido.
O caso estava sendo apurado no âmbito da Justiça Eleitoral do Pará, mas foi remetido ao Supremo por envolver o parlamentar, que tem foro privilegiado.
O inquérito diz que as duas empresas investigadas possuem mais de R$ 900 milhões em contratos celebrados com o governo do Pará nos últimos quatro anos. Em sua decisão, Dino determinou a “suspensão do direito de participar de licitações e firmar contratos com órgãos públicos” das duas empresas.
A representação da PF diz que o secretário de Obras do Pará, Benedito Ruy Cabral, atuou como “integrante da organização criminosa” e praticou “graves violações de deveres funcionais mediante o uso de cargo estratégico”.