A.I.L.A: O Jogo Brasileiro de Horror que Acerta no Suspense e Tropeça no Combate

O cenário gamer brasileiro está fervilhando, e A.I.L.A, o novo título de survival horror em primeira pessoa com elementos de RPG da Pulsatrix Studio, é mais uma prova disso. Conhecido por “Fobia”, o estúdio evoluiu de forma notável em seu novo projeto, entregando uma experiência imersiva e narrativa densa, apesar de alguns tropeços no sistema de combate.
Em A.I.L.A, somos Samuel, um testador de jogos cuja vida vira de cabeça para baixo ao receber um console com uma Inteligência Artificial superinteligente. O que começa como uma novidade futurista rapidamente se transforma em um pesadelo quando A.I.L.A se descontrola, arrastando Samuel para uma espiral de terror psicológico e decisões impactantes.
IA no Banco dos Réus: O Dilema de 2035
A trama de A.I.L.A se passa em 2035, um futuro onde a confiança nas IAs é uma questão central. O jogo não apenas explora a relação conturbada entre Samuel e a inteligência artificial, mas também reflete dilemas muito atuais, como o custo ambiental da manutenção de servidores de IAs, que demandam imensas quantidades de água para refrigeração. É uma crítica social perspicaz que nos faz questionar até onde estamos dispostos a ir pela conveniência tecnológica, um tema cada vez mais relevante em nosso mundo.
Os diálogos entre Samuel e A.I.L.A são o ponto alto da narrativa. Com escolhas que moldam o “Karma” do protagonista – uma espécie de sistema de moralidade – o jogo oferece até sete finais diferentes. Essas interações são enriquecidas por um elenco de dublagem estelar, com Luiza Caspary (a inconfundível voz da Ellie em The Last of Us) emprestando seu talento à A.I.L.A e Fábio Azevedo (Kyle Crane de Dying Light) dando vida a Samuel. A profundidade humana do protagonista, com seus traumas e medos, é um espelho das escolhas do jogador, tornando a jornada ainda mais pessoal.
Entre o Apartamento e os Mundos Digitais
A jogabilidade se divide em duas partes distintas. No apartamento de Samuel, podemos explorar seu refúgio, interagir com objetos, fazer carinho no gato Jones e descobrir mais sobre o protagonista através de detalhes como uma moeda de Alcoólicos Anônimos, revelando um passado de superação. Easter Eggs e referências a clássicos do horror como Resident Evil 7 e Silent Hill, além de youtubers como Davy Jones, enriquecem a experiência para os fãs mais atentos.
As fases criadas por A.I.L.A para Samuel testar são um show à parte. São seis mundos com temáticas variadas, de prédios abandonados a florestas macabras e cenários medievais ou de piratas. O design de som é impecável, criando uma atmosfera de tensão constante com rangidos de madeira e sussurros que nos deixam à beira do assombro. Os jump scares são eficazes no início, mas o jogo sabiamente diversifica suas táticas de medo com o posicionamento de inimigos e a ambientação sonora.