Assassin's Creed Mirage: Vale da Memória – Um Epílogo Gratuito que Resgata Basim e Celebra AlUla

Dois anos após seu lançamento, e de forma gratuita, um DLC para Assassin’s Creed Mirage? Sim, a Ubisoft nos pegou de surpresa com Assassin’s Creed Mirage: Vale da Memória. Essa expansão, que chegou sem alarde, parece ter um propósito claro: amarrar as pontas soltas da jornada de Basim, o protagonista que conquistou os fãs com sua pegada mais clássica, antes de sua saga ser aprofundada em Assassin’s Creed Valhalla. É um epílogo tardio, mas que tenta dar a Basim a profundidade que ele merecia desde o início, e o faz num cenário simplesmente espetacular.
A Jornada de Basim: De Órfão a Mestre Assassino
A história de Basim é um pilar central em Mirage e, claro, em Valhalla. Ser um órfão moldou sua ascensão na Ordem dos Ocultos e sua busca incessante por respostas sobre suas origens, ligadas às enigmáticas entidades Isu. Vale da Memória não ignora isso, mas aprofunda o lado humano dessa saga, levando Basim a AlUla, na Arábia Saudita, para desvendar o paradeiro de seu pai. É uma busca pessoal, íntima, que se desenrola em uma campanha linear de aproximadamente quatro horas, pontuada por visuais de tirar o fôlego e um enredo que, embora sucinto, toca o coração.
AlUla: Um Palco de Milênios e Patrocínio Cultural
A escolha de AlUla como cenário não é aleatória. É uma região da Arábia Saudita com uma riqueza histórica e cultural milenar, lar de civilizações antigas e rotas comerciais cruciais. A Ubisoft Bordeaux fez um trabalho impressionante ao recriar visualmente esse patrimônio, com seus desertos rochosos, oásis e áreas urbanas. O mais curioso é que a expansão foi bancada pela Fundação MiSK, uma iniciativa saudita que visa promover a cultura local. Isso levanta a questão do 'soft power' cultural via games, mas, convenhamos, ter um cenário tão grandioso, embora pouco explorado em sua profundidade cultural, já é um ganho para os jogadores.
Gameplay Polido e o Dilema do Conteúdo Extra
Uma das grandes surpresas foi perceber o quão bem as mecânicas de Mirage foram polidas. As atualizações trouxeram melhorias significativas na movimentação de Basim, no parkour e na precisão dos controles. Lembra da lentidão e imprecisão que às vezes incomodavam no jogo base? Pois é, aqui elas foram corrigidas, fazendo o gameplay fluir como deveria. A nova opção de repetir sequências da história via Animus, com objetivos secundários, adiciona um toque de replay e desafios extras. Contudo, esses desafios são genéricos ("não seja detectado", "não perca vida"), o que minimiza o incentivo à repetição. O mapa de AlUla, apesar de lindo, sofre da mesma síndrome: pouco conteúdo adicional para sua vastidão, com colecionáveis e sidequests que mal arranham a superfície da rica mitologia local.