Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026 Like a Dragon: blog oficial do PlayStation publica entrevista comemorativa de 20 anos da série | PixelandoHome/Games e Consoles/like-a-dragon-blog-oficial-do-playstation-publica-entrevista-comemorativa-de-20-anos-da-serie-580 Games e Consoles
Like a Dragon: blog oficial do PlayStation publica entrevista comemorativa de 20 anos da série


Como forma de comemorar os 20 anos desde sua estreia no PlayStation 2, a série
Like a Dragon (anteriormente conhecida apenas como Yakuza) se prepara para um
novo marco com o lançamento de
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, um remake do terceiro jogo, em 12 de fevereiro do próximo ano. Como parte das
celebrações, o PlayStation Blog conduziu uma entrevista com os atuais
responsáveis pela franquia — o produtor executivo Masayoshi Yokoyama, o
diretor-chefe Ryosuke Horii e o produtor-chefe Hiroyuki Sakamoto — sobre a sua
trajetória e evolução ao longo das últimas duas décadas, bem como o que
representa esse novo lançamento para o atual momento da IP.
Yokoyama, o primeiro a dar a palavra, começa a
entrevista declarando que os 20 anos de Like a Dragon simbolizam a chegada da
"maioridade” da franquia. O produtor explica que a comemoração foi pensada
como um olhar retrospectivo sobre a trajetória da série, do nascimento à
maturidade. Além disso, mencionou que o estúdio preparou eventos e conteúdos
especiais, como a exposição The Four Ceremonies of Life, em Tóquio, e
planeja novas iniciativas após o dia 8 de dezembro. A ideia é estender as
celebrações até o fim do próximo ano, mantendo a marca próxima dos fãs por
mais tempo.
Ao comparar toda a trajetória, do início ao momento atual, Yokoyama destaca a
mudança na forma como Like a Dragon passou a ser percebida pelo público — e
até por quem está envolvido em sua produção. Segundo o ele, no começo “não era
algo que as pessoas diziam em voz alta que gostavam”, a ponto de alguns
desenvolvedores esconderem de familiares que trabalhavam no projeto. Essa
relação começou a mudar cerca de dez anos depois, quando o orgulho em fazer
parte do projeto se tornou público, refletindo a consolidação da franquia e do
próprio RGG Studio como marcas reconhecidas. Hoje, afirma Yokoyama, o objetivo
é seguir cuidando desse legado para que funcionários, parceiros, elenco e fãs
continuem se orgulhando da série.
Ainda para Yokoyama, a evolução criativa não veio da tentativa de seguir
tendências, mas de mudanças profundas no próprio ambiente de desenvolvimento
ao longo dessas duas décadas. Ele explica que a exposição crescente à cultura
global — impulsionada por plataformas como YouTube e Netflix — transformou a
forma como o estúdio enxerga o mundo, algo que era impensável em 2005.
Essa abertura se reflete também na composição da equipe, uma vez que, antes,
ela era quase totalmente masculina e japonesa. Hoje, o RGG Studio reúne
profissionais de diferentes países e apresenta um equilíbrio de gênero próximo
de 50%. Segundo o produtor executivo, essa transformação natural do estúdio
influenciou diretamente a produção dos jogos, sendo que a intenção é seguir
abraçando essas mudanças sem abrir mão da identidade própria da franquia.
Sakamoto, por sua vez, reforça que a capacidade do estúdio de lançar jogos
em intervalos curtos sem comprometer a qualidade é resultado de um fluxo de
trabalho lapidado ao longo de anos. O produtor-chefe explica que a equipe se
concentra em eliminar processos desnecessários e buscar constantemente a
forma mais eficiente de desenvolvimento, mantendo sempre um equilíbrio
rigoroso entre qualidade, escopo, tempo e custo. Essa disciplina, afirma, é
o que sustenta a regularidade da série.
Já discorrendo sobre a ambientação contemporânea dos jogos, uma marca da
franquia, Sakamoto aponta tanto desafios quanto vantagens. Distritos como
Kamurocho passaram por mudanças profundas em duas décadas, o que exige
pesquisa constante nos títulos principais para retratar a realidade atual.
Em contrapartida, os spin-offs oferecem maior liberdade criativa, permitindo
explorar cenários e abordagens menos presos às transformações do mundo real.
Quando indagado sobre à passagem de bastão de protagonista, quando Ichiban
Kasuga assume o manto de Kazuma Kiryu em
Yakuza: Like a Dragon, Sakamoto comenta que é uma decisão que até pode parecer arriscada, mas que
nunca encarou tal mudança com preocupação. Segundo o produtor-chefe, a equipe
confiava na construção narrativa e no vínculo que o público cria com Kasuga ao
longo da história. Para ele, o fato de os jogadores conseguirem se conectar
com qualquer um dos personagens significa que qualquer um poderia assumir esse
papel principal, uma característica que, na sua visão, demonstra a força e a
versatilidade da franquia.
Quando o assunto chegou nos mini-games, foi a vez de Ryosuke Horii fazer suas
colocações. Para ele, o que define a concepção e inclusão de cada atividade é
a própria narrativa central da campanha. O diretor-chefe explica que o
ponto de partida é definir o conceito da história e o seu cenário, para então
criar conteúdos paralelos que dialoguem com esses elementos, como a gestão
empresarial ligada ao tema de ascensão social de Ichiban.
O desenvolvimento passa por ciclos constantes de testes e ajustes, sempre com
atenção especial ao humor característico da série, que transforma situações
inusitadas em experiências memoráveis e ajuda a reforçar a imersão do jogador
no universo do jogo, exemplificado pela forma com que "pedir desculpas" é um
movimento de finalização após uma reunião com os acionistas do dito mini-game.
Horii também explica que a escolha dos jogos clássicos da SEGA presentes nos
fliperamas de Kamurocho, Ijincho, Sotenbori ou Honolulu começa relativamente
cedo no desenvolvimento e é liderada pelo diretor técnico Itō, especialista em
títulos retrô. Segundo ele, a decisão vai além da preferência pessoal, já que
envolve desafios como licenciamento, adaptação técnica e viabilidade dentro do
cronograma. Por isso, a equipe busca um equilíbrio entre o que é possível
incluir e o que realmente merece ser resgatado, priorizando jogos feitos com
cuidado e que os próprios desenvolvedores admiram e desejam apresentar a uma
nova geração de jogadores.
Ao comentar a o rótulo de remake "extremo" atribuído ao Yakuza Kiwami 3 &
Dark Ties, Yokoyama afirma que o foco do RGG Studio não está em seguir um
modelo fixo para revisitar obras passadas, mas em criar experiências que façam
sentido para o público atual. Segundo ele, ainda não há decisões concretas
sobre novos remakes, e a filosofia do estúdio — “fazer o que for preciso para
dar certo” — segue como guia criativo. Essa abordagem, explica, está
diretamente refletida no novo lançamento, que não apenas reimagina Yakuza 3,
mas também incorpora elementos que apontam para o futuro da franquia,
convidando inclusive veteranos da série a explorarem o título sob uma nova
Horii, por sua vez, afirma que Yakuza Kiwami 3 vai muito além de uma simples
atualização do jogo original. Embora a história central tenha sido mantida,
o remake recebeu novas cinemáticas, personagens e linhas de diálogo, além de
conteúdos inéditos que reestruturam completamente o ritmo e o design da
experiência. Assim, o título foi pensado para se sustentar como um
lançamento totalmente novo do RGG Studio, oferecendo ineditismo para os
Ao mesmo tempo, Horii garante que o jogo é acessível a novatos na franquia,
complementando que Kiwami 3 conta com um recurso de recapitulação dos
capítulos anteriores e foi estruturado para permitir que novos jogadores
acompanhem a narrativa sem dificuldades. Ainda assim, ele ressalta que
conhecer títulos como Yakuza 0, Kiwami e Kiwami 2 pode aprofundar o vínculo
com os personagens e enriquecer a experiência.
Ao refletirem sobre os 20 anos da franquia, os três entrevistados do RGG
Studio reforçam um olhar voltado muito mais para o futuro do que para a
nostalgia, apesar dos relançamentos recentes. Horii afirma que jamais imaginou
que dedicaria quase metade da vida à série e que sempre trabalhou em cada jogo
como se pudesse ser o último, uma postura que, segundo ele, garante entregas
Já Sakamoto reforça a ideia de constante evolução, afirmando que, para levar
Like a Dragon ainda mais longe, o estúdio precisará continuar se reinventando
e encarando novos desafios. Yokoyama, por fim, admite não ser alguém muito
sentimental, mas que as celebrações do aniversário lhe permitiram uma rara
pausa para revisitar a trajetória da franquia sob a ótica dos fãs, uma
experiência que renovou sua admiração pelo próprio trabalho e servirá de
combustível criativo para os próximos passos.
Enquanto Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é o próximo lançamento da
série e está previsto para março do ano que vem, o último título inédito da
franquia chegou no começo de 2025, com
Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii. Em dezembro,
Yakuza 0 Director's Cut, uma versão revitalizada da prequel do primeiro jogo chegou ao
PC e às plataformas PlayStation e Xbox Series, que também receberam ports de
Yakuza Kiwami e Yakuza Kiwami 2. Além disso, o Ryu Ga Gotoku
também conta com outro projeto em produção,
Stranger Than Heaven, que ainda não conta com data de lançamento divulgada.
Matéria originalmente publicada no GameBlast.