The Last Case of John Morley: Um Detetive Desgastado em um Caso Esquecível

A cena de um crime abandonada, uma mansão misteriosa e um detetive que está em seu último fôlego na carreira. The Last Case of John Morley, desenvolvido pela Indigo Studios - Interactive Stories e distribuído pela JanduSoft, nos convida a vestir o chapéu de John Morley para desvendar um assassinato que assombra uma condessa há duas décadas. Mas será que essa investigação consegue prender a nossa atenção ou acaba se perdendo nos arquivos empoeirados da memória?
Uma Trama com Potencial, Mas com Detalhes Nublados
Logo de cara, somos jogados no mistério: a filha de uma condessa foi brutalmente assassinada há 20 anos, e a pessoa errada está na cadeia. John Morley, recém-saído de um caso complicado e ainda se recuperando de perdas pessoais, aceita o desafio de reabrir feridas antigas em uma mansão abandonada. A narrativa, para ser justa, é o ponto mais brilhante do jogo. Com reviravoltas bem colocadas, ela consegue manter o interesse do jogador, mesmo que John Morley tenha umas “deduções sobrenaturais” aqui e ali, ou presuma fofocas sem base clara, o que quebra um pouco a imersão.
Contudo, a falta de impacto nas escolhas do jogador é um tropeço. Em um jogo investigativo, a sensação de que nossas decisões moldam o caminho é essencial, e aqui, mesmo ao interrogar NPCs, as opções não alteram o rumo da história. A jornada é curta, mas paradoxalmente, a falta de profundidade na jogabilidade a faz se arrastar. Não espere puzzles complexos que desafiem o cérebro; a experiência é mais linear do que o esperado para um título do gênero.
Investigação "Bate e Corre"
A jogabilidade em primeira pessoa limita-se ao básico: andar, correr e usar uma lanterna que, convenientemente, decide se desligar toda vez que você interage com algo. A exploração é um ciclo de encontrar chaves ou códigos para abrir portas, com alguns quebra-cabeças no caminho que mal arranham a superfície da dificuldade. E prepare-se para usar a memória: o jogo não organiza pistas ou documentos importantes, te forçando a revisitar cenários para relembrar uma simples senha. Isso é um erro crasso em qualquer aventura investigativa moderna.
As deduções, marcadas em verde, acabam guiando o jogador de forma excessivamente direta, transformando a "investigação" em um "clique no que brilha". Mesmo com um level design competente que evita que o jogador se perca, momentos como arrancar tábuas com um pé de cabra de forma irrealista expõem a falta de polimento. Grande parte da experiência é desajeitada, com textos que adicionam pouco à trama principal e um gameplay que se resume a procurar por pistas sem um desafio real. Para um jogo de apenas duas horas, esses problemas acabam se destacando mais do que deveriam.
Uma Direção de Arte Competente, Mas com Falhas de Áudio
Visualmente, The Last Case of John Morley acerta em cheio. A ambientação dos anos 40 é bem construída, e os cenários transmitem a atmosfera necessária. Os modelos de personagens, embora não variados, cumprem seu papel, e a baixa expressividade facial não atrapalha a trama. No entanto, é inegável o uso de inteligência artificial em elementos do cenário, que em alguns momentos, distrai e quebra a imersão. É uma pena, pois o cuidado artístico geral é visível.