Fuzis para GCM? Polêmica no Rio Agita o Debate sobre Segurança e 'Tecnologia' Urbana

O Rio de Janeiro nunca deixa de ser palco de debates acalorados sobre segurança pública, e a recente declaração de Diego Zeidan, presidente do PT-RJ, jogou lenha na fogueira. Defender uma megaoperação que resultou em 122 mortes como “bem sucedida” e, ainda por cima, advogar pelo armamento de Guardas Municipais com fuzis “para ir nas favelas” é um posicionamento que merece nossa atenção. Mais do que uma simples manchete política, a fala de Zeidan expõe uma das maiores tensões no uso de “tecnologias” de segurança em ambientes urbanos complexos.
O Dedo na Ferida: Armamento e a GCM
A proposta de armar a Guarda Civil Municipal (GCM) com fuzis não é nova, mas ganha um novo contorno quando vem de um líder do PT, tradicionalmente associado a um discurso mais cauteloso sobre militarização. Zeidan, filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, detalhou que a GCM de sua cidade já está sendo armada e passará por treinamento com o BOPE. Isso coloca em discussão o papel da GCM: de força de patrulhamento e apoio ao trânsito para um braço de combate ao crime organizado, utilizando armamento de alto calibre. Do ponto de vista técnico, a aquisição de fuzis e o treinamento especializado representam uma “atualização tecnológica” no arsenal dessas forças. No entanto, o custo humano e social dessa escolha é imenso.
O Dilema da “Operação Bem Sucedida”
Classificar uma operação com mais de uma centena de mortos como “bem sucedida” levanta questões éticas e de eficácia. Enquanto o presidente Lula e outros membros do PT condenaram a ação como “desastrosa”, Zeidan foca na necessidade de combater o crime organizado que atua com fuzis e barricadas, impedindo a entrada do Estado. Sua crítica principal não é a letalidade, mas a ausência do Estado após a operação. Aqui reside uma reflexão crucial: a segurança pública é sustentada apenas por incursões pontuais ou exige uma presença contínua e multifacetada do Estado, que inclua serviços sociais, infraestrutura e oportunidades? A “tecnologia” da repressão, por si só, é suficiente?
Tecnologia para a Segurança: Além do Gatilho
No contexto da segurança urbana, “tecnologia” não se limita a armas. Inclui sistemas de vigilância inteligente, comunicação criptografada, inteligência de dados para análise criminal e até mesmo abordagens inovadoras de policiamento comunitário. O debate de Zeidan, focado em fuzis, ignora ou minimiza essas outras “tecnologias” que poderiam oferecer soluções mais integradas e menos letais. Há quem argumente que a “tecnologia” da força bruta é apenas uma parte de um quebra-cabeça muito maior que envolve políticas públicas e investimento social.
Um Futuro em Aberto para o Rio
A fala de Zeidan expõe uma fissura dentro de um partido importante e reflete a complexidade das soluções para a segurança no Rio. Armar a GCM com fuzis pode ser visto por alguns como uma “modernização” necessária para enfrentar grupos criminosos equiparados, mas por outros como um passo perigoso em direção à militarização excessiva e à escalada da violência. A verdade é que a “tecnologia” mais eficaz para a segurança de uma cidade ainda é um Estado presente, justo e que ofereça perspectivas para todos. O futuro da segurança pública, e como a tecnologia será empregada nela, permanece um campo de batalha ideológico e prático no Brasil.