Violência Digital Contra Mulheres: Quase 9 Milhões de Brasileiras Afetadas em Um Ano - E Como Denunciar!

O Alerta Vermelho da Violência Digital: Milhões de Brasileiras Afetadas
Quase 9 milhões de brasileiras, ou uma em cada dez mulheres com mais de 16 anos, sofreram algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses. O número, revelado por uma pesquisa inédita do Datasenado em parceria com a Nexus, é um soco no estômago e acende um alerta urgente: a internet, que deveria ser um espaço de conexão e oportunidades, virou um campo minado para muitas.
Este estudo, o primeiro a mergulhar a fundo no cenário de violência de gênero no ambiente online, desmistifica a ideia de que o digital é menos real. As agressões virtuais não só causam danos psicológicos profundos, mas muitas vezes transbordam para o mundo físico, tornando a vida das vítimas um verdadeiro inferno.
As Faces da Agressão Online
As mulheres entrevistadas detalharam as formas mais comuns de ataques virtuais. Não estamos falando de um comentário maldoso isolado. São:
- Mensagens ofensivas e ameaçadoras: Ameaças de morte, estupro e outras violências, enviadas repetidamente para intimidar a vítima.
- Invasão de contas e dispositivos pessoais: Um crime que rouba a privacidade e pode ser usado para chantagear ou expor informações íntimas.
- Divulgação de mentiras nas redes sociais: Campanhas difamatórias, espalhando fake news para manchar a reputação e gerar ódio contra a mulher.
Além disso, o cenário atual da tecnologia adiciona camadas de crueldade. Ferramentas como inteligência artificial, que deveriam servir ao progresso, são tristemente usadas para criar deepfakes – montagens realistas que simulam imagens íntimas sem consentimento, como as fotos pornográficas falsas. Essa é uma das formas mais invasivas e humilhantes de violência digital.
A Perigosa Normalização e o Medo Que Permanece
Um dos pontos mais preocupantes da pesquisa é a naturalização desses atos. Muitas mulheres, infelizmente, já consideram esses crimes como algo "normal". Pesquisadores apontam que, na internet, a percepção e denúncia da violência podem ser mais lentas. "Muitas vezes, um insulto no meio digital é relevado. (...) Ela tem que denunciar essa violência. Nós temos leis para coibir a violência digital", reforçam os especialistas. Essa passividade, ainda que compreensível pelo esgotamento ou pela sensação de impunidade, alimenta um ciclo perverso.
O terror digital, como no caso de uma jovem de 22 anos que prefere não ser identificada, não se confina à tela. Sua história começou em 2022, quando um simples post em defesa da vereadora Marielle Franco a colocou na mira de um grupo. Insultos escalaram para ameaças diárias de estupro e morte. Montagens com IA que a mostravam nua ou em cenas pornográficas, além de encomendas anônimas chegando em sua casa – uma prova assustadora de que a ameaça transcende o virtual. "É limitador, sabe, muito limitador. Porque você tem medo de sair, de te expor de alguma forma, tirarem foto sua, de estarem te perseguindo", desabafa ela.