Salários Congelados em 2026? Empresas Apostam em Benefícios para Segurar a Galera Tech!

Se você estava sonhando com um belo aumento salarial em 2026, pode ser hora de recalibrar as expectativas. De acordo com o mais recente “Guia Salarial 2026” da renomada Michael Page, a realidade dos reajustes reais será para poucos, com apenas uma em cada cinco empresas planejando conceder aumentos que realmente superem a inflação. É o que o Pixelando apurou, e a notícia pode pegar alguns de surpresa no nosso efervescente mercado de tecnologia.
O Impasse Salarial e a Pressão por Soluções
O cenário é de contenção: cerca de 45% das empresas não pretendem ir além dos reajustes obrigatórios, um salto considerável em relação aos 30% do ano anterior. Essa postura, conforme explica Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page, reflete um momento "complexo, tanto local quanto global", onde a prioridade é a "saúde do caixa" e a "sustentabilidade imediata". Para ele, um aumento real no salário é um "compromisso permanente no custo fixo", o que faz as empresas agirem com cautela, observando cada passo do mercado.
E a galera tech, como fica? A insatisfação é palpável. Nos últimos 12 meses, um impressionante percentual de 59% dos profissionais não viu seu salário aumentar. Não é à toa que apenas 5% se dizem "muito satisfeitos" com a remuneração atual, e o engajamento geral despenca, com a maioria reportando algum nível de descontentamento no trabalho.
Benefícios: A Nova Moeda da Retenção
Diante da dificuldade em mexer na folha salarial, os pacotes de benefícios surgem como o grande trunfo. A pesquisa mostra que 55% dos entrevistados consideram esses itens essenciais para atrair e, mais importante, manter talentos. Não é só sobre um salário base competitivo; é sobre o combo completo que faz a diferença no dia a dia do colaborador.
Bônus por performance, um bom plano de saúde (essencial no Brasil!), vales alimentação/refeição robustos e previdência privada lideram a lista de prioridades. Além disso, programas de capacitação e desenvolvimento profissional ganham força, indicando que investir no crescimento do colaborador é tão valioso quanto o salário em si. Ricardo Basaglia, presidente da Michael Page no Brasil, pontua o desafio: "construir pacotes que realmente façam diferença para os colaboradores, sem comprometer a competitividade". A lógica é clara: benefícios têm custos variáveis, menor impacto tributário e oferecem a flexibilidade que o trabalhador moderno tanto busca.
O Elo Perdido: Flexibilidade e Talento Escasso
Apesar da crescente valorização dos benefícios, há um descompasso. Enquanto 42% dos candidatos priorizam a flexibilidade nos pacotes, quase metade das empresas (48%) ainda oferece formatos padronizados. Essa rigidez pode ser um calcanhar de Aquiles em um mercado onde 73% das empresas já declaram dificuldade para encontrar profissionais qualificados, especialmente com as tão valorizadas – inteligência emocional, pensamento crítico e adaptabilidade são cruciais para 88% das companhias.